segunda-feira, 21 de março de 2011

Projeto Cidade Escola e o começo de suas atividades na Escola "Décio"

Hoje foram retomados os trabalhos com os alunos da Escola Municipal Décio Martins Costa, pelo Projeto Cidade Escola. O projeto da SMED/POA desenvolvido em parceria com a FECI (Funfação de Esporte e Cultura do Internacional). Devido ao bom trabalho apresentado no ano passado este ano o Projeto continuará na escola, num modelo muito semelhante ao de 2010.
O projeto propõe que os alunos ocupem o espaço da escola no turno inverso ao ensino regular, no meu caso, turno da manhã. Os alunos são divididos em turmas, conforme sua idade e passam por três "aulas", de português (comigo), de matemática (com a professora Ângela Nascimento) e Educação fisica (com a professora Sarita Rocha). O projeto dá a possibilidade de o aluno obter ajuda no que vem sendo aprendido no ensino regular, o auxilio vem sempre de forma lúdica e diferente do modo tradicional (sempre que possível). Por meio de brincadeiras procura-se atrair o interesse e estimular o aluno a não desistir das dificuldades que por ventura surjam ao longo da caminhada no ano letivo.
Independente dos principais objetivos que estão envolvidos no Projeto muitos outros acontecem por tabela e se tornam tão importantes como os primários. Lá o aluno está dentro de uma estrutura que possibilita os pais ou responsáveis, poderem trabalhar enquanto o filho está envolvido em algo produtivo. Durante o período em que estão na escola, evita-se que o aluno fique "largado" na rua e exposto a vulnerabilidade que são proporcionadas nas zonas onde a maioria das escolas municipais estão inseridas. Crianças na situação em que a maioria se encontra nessas regiões, são expostas muito cedo e tem de escolher ainda muito jovens por caminhos que na maioria das vezes ainda não estão prontas para decidir, ali envolvidas no espaço da escola no mínimo se adia isso, na rua existe muita possibilidade de se desenvolver a "sementinha do mal", estando na escola além de se reduzir o tempo de exposição a isso, ainda se aproveita e tenta se plantar a "sementinha do bem". Além de terem alimentação balanceada no lanche e almoço oferecidos pela escola.
Nesse breve resumo se entende a importância desse projeto (e de outros semelhantes)e a contribuição efetiva na vida e formação dessas crianças. Citei algumas coisas importantes, mas existem tantas outras envolvidas, o Projeto, professores, colegas e o dia a dia, atingem cada de criança de uma maneira diferente. Entre os 75 alunos que foram recebidos hoje pela manhã, um número muito grande retornou para continuar esse anos (não sei precisar em números ainda) e foi muito gratificante ouvir dos pais o quanto o "Projeto" contribuiu na vida das crianças, e por isso levaram os pais a novamente acreditarem no "Projeto" e nos educadores que passam 3 horas de cada dia em boa companhia, sejam nós na deles, ou os alunos na nossa.
Que 2011 seja melhor do que foi 2010 e que muitas realizações façam parte desta caminhada, sempre que tiver algo relevante postarei por aqui.

Site do Projeto:

Blog do Projeto na Escola Décio Martins Costa (turno da manhã)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carnaval é alienação para quem quer

Todo ano acontece a mesma coisa, quando é chegado o carnaval sempre surgem centenas de discussões sobre o significado, utilidade e o que representa o carnaval (principalmente do RJ com as Escolas de Samba). Quase sempre vejo opiniões preconceituosas sobre o assunto e com argumentos simplistas. Eu tenho uma opinião que muitos não concordam. Falar de carnaval não é fácil pois envolvem muitos elementos, e também não sou estudioso ou especialista no assunto, muito embora, é um tema que me desperta muita curiosidade e na qual aprecio muito saber sempre mais. 
Fazendo uma analise superficial sobre o carnaval atual eu vejo uma goleada de argumentos favoráveis ao modelo blocos/escolas de samba, que se tem com mais "força" do sudeste até o nordeste do Brasil. É impossível fazer sequer um apanhado aqui, sobre a história que origina esses carnavais nos dias de hoje, mas que bastando procurar um pouco, pode-se ter uma noção da riqueza do tema. Atualmente o carnaval pouco tem a ver com o modelo que o originou é verdade, mas isso se dá pela adequação a realidade contemporânea, são outros tempos, outras demandas e outro jeito de viver e/ou levar a vida. Mas na minha opinião é inegável que o carnaval (mesmo que atualmente sendo muito mais um negócio do que qualquer outra coisa) contribui muito mais do que prejudica a sociedade ou o país. Alguns aspectos são importantes ressaltar e lembrar para quem não consiga ver certas contribuições. É significativo o número de turistas que chegam do exterior para "comprar" o carnaval, pra  um país com bastante vocação pro turismo o carnaval é mais um atrativo, além do turismo interno, que tem um aumento absurdo nessa época também. Com isso ganha o comércio, rede hoteleira, empresas de transporte, serviços e até mesmo os trabalhadores informais. O carnaval carioca é uma das imagens mais positivas do Brasil para o mundo, muito noticiado e assistido por milhares de pessoas, levando uma imagem positiva do país principalmente no exterior. Negligenciar que por trás de alguns "excessos" existem coisas positivas é ser simplista, nós historiadores devemos dar mais atenção a isso, afinal o carnaval de escolas de samba são mergulhados na "história", seja de lugares, pessoas ou de um determinado espaço de tempo. Como exemplo no RJ podemos citar a União da Ilha que vai contar os mistérios da vida passando pelo navio Beagle de Charles Darwin ou a Portela que vai contar a importância que a navegação teve através do tempo. A história é contada de forma lúdica, ferramenta que ganha muito mais qualidade quando transmitido pela tv e narrado para  o espectador, sobre o significado de uma fantasia, carro alegórico ou enredo. A pena é que pela TV se perde o fator "festa", não imagino ninguém sambando e cantando na frente da TV como se estivesse em um sambodromo. Também é válido ressaltar que o carnaval é uma manifestação cultural e popular, na medida que comunidades (algumas vezes carentes) se envolvem na construção de algo gigantesco e na comemoração do carnaval durante os desfiles de sua escola de samba e blocos, ali se representa a capacidade de organização, mobilização, transformação e poder de uma comunidade. Tem outra questão importante também, as escolas de samba atuam o ano todo em comunidades (na maioria pobres), com um belo trabalho de inclusão e responsabilidade social, um legado que vai além dos desfiles na avenida e onde as vezes o poder público não atua como deveria. Sem contar que uma escola de samba conta com uma "orquestra" de centenas de ritimistas, que embalam cerca 3.000 pessoas para atravessar a avenida e botam pra dançar outras tantas na arquibancada, é no mínimo contagiante. Ao escrever esse texto surgiu-me uma inquietação, será que se o ritmo fosse outro teria menos preconceito? Confesso que não sei.
Mesmo envolvendo cifras milionárias (boa parte delas públicas) para "fazer acontecer" e não tendo quase nenhum caráter popular nessa parte, o carnaval aquece o mercado de trabalho já que emprega muita gente, desde um artesão e costureira até algum residente próximo ao local dos desfiles (alugando banheiro, vendendo comida, alugando "vestiario" e até "chapelaria"), no meu modo de ver isso tudo é um investimento válido e quase garantido de retorno satisfatório. É a força de trabalho humana que transforma o carnaval.  
Fazendo uma reflexão rasa dá pra perceber inúmeros argumentos positivos no "carnaval sem vergonha" transmitido na tv ou que movimentam milhares de pessoas no nordeste. Existem argumentos sólidos contra obviamente, como alienação (discordo em muita coisa nisso), excessos, aumento da violência, sujeira nas ruas e outros, mas na minha opinião o carnaval mais contribui do que prejudica, falo do carnaval de blocos ou escolas de samba nesse caso. 
Normalmente quem é contrário ao carnaval tradicional, são os mesmos que se envolvem com um modelo de carnaval que é comum aqui no sul. Muitas dessas pessoas passam o feriadão todo na praia (gaúcha ou catarinense), fazendo festas em casas noturnas todas as noites possíveis. Coisas que não precisam de um feriadão de carnaval pra isso, se faz todo o fim de semana o ano todo e com conseqüências que vemos todos os fins de semana do ano inteiro. Incontáveis mortes no transito causados em sua maioria por excesso de bebidas ou drogas é uma delas. Não condeno quem passa o carnaval desse modo, mas é um pouco hipócrita criticar o carnaval tradicional porque se usa pouca roupa, porque é depravado ou porque é alienação da realidade. Afinal de contas nessas festas de carnaval aqui do sul não existe nada de "não alienação", e talvez a  principal  diferença é que não se passa o tempo todo sem roupa, somente em "alguns momentos da noite" (se é que você me entende). 
Resumindo, acredito que qualquer modelo de carnaval tem fatores bons e ruins, mas na minha opinião é muito mais produtivo e gera muito mais retorno carnaval tradicional (blocos e escolas de samba) do que os de "casas noturnas", vê somente alienação no carnaval tradicional quem quer. Parece que uma coisa o carnaval ainda se assemelha com suas origens, um caráter de marginalidade, pois é visto como coisa de pobre, bagaceiro ou de mal gosto. Todos tem o direito de gostar ou não gostar de algo e até de achar sem graça escolas de samba, cansativo, repetitivo e o que mais bem entender. Mas criticar somente por criticar acho exagero.
Dizem que o ano começa depois do carnaval, assim espero. Quarta feira de cinzas completo 26 anos, no aguardo e trocida de uma resposta positiva a mim da 28ª CRE sobre uma vaga para uma escola em Cachoeirinha. Se conseguir a vaga começo o ano muito bem.

Abraços e bom carnaval a todos que desfilarão ou não, e também a todos aqueles que passarão em casa, sem um tostão furado no bolso, como eu.

Carro alegórico da Beija-Flor, campeã de 2007 (Fonte: Site oficial Beija-Flor)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Texto: Professor está sempre errado

Recebi hoje por email este texto e resolvi compartilhar. Segundo o que estava no corpo do email, dizia ser um texto de Jô Soares. Como na internet é difícil garantir de quem é a verdadeira autoria não afirmo ser mesmo do Jô. Se alguém souber se for mesmo de Jô Soares, ou de quem realmente é o texto é só avisar que dou o real crédito.

PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
Se É jovem, não tem experiência.
Se É velho, está superado.
Se Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Se Fala em voz alta, vive gritando.
Se Fala em tom normal, ninguém escuta.
Se Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Se Precisa faltar, é um 'turista'.
Se Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Se Não conversa, é um desligado.
Se Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Se Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Se Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Se Não brinca com a turma, é um chato.
Se Chama a atenção, é um grosso.
Se Não chama a atenção, não sabe se impor.
Se A prova é longa, não dá tempo.
Se A prova é curta, tira as chances do aluno.
Se Escreve muito, não explica.
Se Explica muito, o caderno não tem nada.
Se Fala corretamente, ninguém entende.
Se Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Se Exige, é rude.
Se Elogia, é debochado.
Se O aluno é reprovado, é perseguição.
Se O aluno é aprovado, deu 'mole'.

É... o professor está sempre errado, mas se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!

Salve a todos os professores que mesmo quando tudo está difícil seguem em frente e não desiste!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tormentas. Para André Bugallo e Éder Silveira

De todos os tormentos que possamos ter em nossa existência o que mais me angustia é a solidão. Mas não aquela solidão em que estamos simplesmente desacompanhados. O que me aterroriza é aquela sensação de que ninguém mais no mundo se importa com próximo e até mesmo com o distante. Há muito tempo faço algumas reflexões de ordem existencial, dentro deste enorme cenário de devaneios, a amizade é um tema que toma muito do meu tempo e espaço reflexivo. Por conta disso resolvi voltar à ativa no blog, falando exatamente de amizade, ou melhor, de dois grandes amigos André Bugallo meu parceiro no Luxiuoso e grande amigo pra todas as horas, o outro amigo é o Éder Silveira meu eterno mestre na arte do conhecimento (meu professor na graduação).



Sobre o André Bugallo já adjetivei a sua personalidade em muitas outras blogadas neste espaço, mas cabe mais uma vez salientar ao leitor e principalmente ao amigo André Bugallo, que se trata sim de um grande historiador e professor, com capacidade e conhecimento de dar inveja a muitos que andam por ai. Dito isso quero fazer um mea culpa, e dizer ao amigo André que ele nunca esteve só, e nunca estará, muito embora a distancia possa trazer a sensação de solidão, ou que até mesmo possa parecer que exista alguma indiferença a despeito do momento de vida que esteja passando, falo isso tomando como referencial a última postagem do amigo no Luxiuoso. Quero ratificar aqui pequeno amigo que estamos juntos e misturados e que estou a disposição pro que der vier.


Sobre o Amigo Éder Silveira como não seria diferente é muito complicado adjetivar essa pessoa, mas tenho responsabilidade de tentar minimamente esclarecer quem é quem. Éder é uma raridade em termos de personalidade extremamente inteligente (com certeza uma das 5 pessoas mais inteligentes que conheci na minha existência), sagaz, ácido, crítico, mas acima de tudo honesto, leal, amigo, como dizem por ai esse outro baixinho assim como o primeiro (André) é foda ou melhor é phoda. Ontem a noite o amigo Éder Silveira me brindou com uma noticia que enche de orgulho qualquer amigo que se preze e ou que valorize as vitórias dos amigos. Éder há poucos dias foi nomeado e empossado como professor da Fundação, pros invejosos de plantão Éder encontra neste momento o seu devido lugar, pelo menos por hora pois eu sei que esse ainda é um pequeno vôo para as milhagens que o amigo ainda tem que percorrer.Parabéns Éder Silveira, professor de Universidade Federal, é mole... E como ele mesmo me disse não vai nem precisar tirar seu jatinho do hangar ou se refugiar no interior do país para ser professor de federal vai a pé para o trabalho, ou como diria o meu pai vai de carro 11.


Nossa história recente é sim entrelaçada do ponto de vista da cumplicidade, da amizade e da lealdade, falo sim de mim, André Bugallo e Éder Silveira, por isso reafirmo aqui ao amigo André Bugallo, hoje é o dia de brindarmos a felicidade do Éder, como ontem foi o dia de brindar a minha, e amanhã, logo, logo amanhã será o dia de brindarmos a tua felicidade e ai sim começarmos a nossa “Rave” sem fim pelas estradas da Educação.






É TUDO NOSSO...






Ben Hur Rezende

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mercado de trabalho na área da educação

Queria começar o texto lembrando que no ultimo dia 15 completou um ano que eu e Ben Hur nos formamos. Justamente a partir disso criei algumas inquietações sobre o que escrevo hoje. Falarei aqui por mim, apenas minha opinião sobre o tema, não sei o que os colegas pensam sobre o assunto.
Desde que me formei, busquei continuar no meio acadêmico e me matriculei numa especialização de História da África e Afro-Brasileira. Obviamente em uma instituição privada e que existe um determinado custo para me manter como um profissional "atualizado". Para me sustentar e me manter no tal curso, obviamente me lancei ao mercado de trabalho, com intuito de atuar na área que escolhi, estudei e me preparei pra isso, nada mais justo eu querer atuar na área. Leio, vejo e escuto em todos os lugares que faltam professores (principalmente na rede pública). Pois bem, aqui estou eu sedento para abocanhar uma das vagas e o que vejo é pura burocracia, além de não serem feitos concursos na rede pública estadual, as vagas emergenciais são uma verdadeira loteria. Me proponho a atuar em uma cidade distante sem problemas, me disponho a receber meu primeiro salário depois de trabalhar por muito mais de um mês, tudo como manda a burocracia, mesmo assim não é fácil. Resumo, até hoje não consegui nenhuma vaga de caráter emergencial. A consequencia foi de que o professor recém formado que buscava se manter atualizado, teve de abandonar seu curso de especialização.
Mais adiante apareceu uma oportunidade em um projeto social chamado Cidade Escola (um dia falo melhor sobre o projeto), projeto da Prefeitura de Porto Alegre em parceria com a FECI (Fundação de Esporte e Cultura do Sport Club Internacional). No começo de agosto estaria resolvido o meu problema então? Estaria, se o contrato não fosse temporário. Assim sendo não pude me programar para retornar aos estudos. O contrato acabou em dezembro e fui obrigado a retornar a procura de emprego (por saber que era temporário nunca encerrei a procura). As vagas para escolas públicas estão "paradas" e são raras as oportunidades em escolas privadas. Em Porto Alegre então são impossíveis, mandei currículos para todas escolas que conheço (em torno de 20), obtive respostas automáticas em 3 ou 4 e o resto nem isso.  Tive a oportunidade de participar do processo de seleção de duas escolas privadas na cidade de Alvorada, uma em dezembro e a outra em janeiro. Vale ressaltar o padrão adotado para a entrevista, ambas em um primeiro momento adotam uma dinâmica coletiva. Na primeira entrevista tinham 12 candidatos, iriam para a segunda fase 6 deles. Na segunda tinham 20 candidatos e não foi divulgado quantos iriam adiante. Me chamaram a atenção duas coisas, primeiro o caráter "loteria" para avançar, não acredito que ao falar por 30 segundos irá fazer a diferença que vão separar 25% como melhores em relação ao resto, na minha opinião passa adiante quem mostra simpatia, boa apresentação e uma cara que interesse a escola. O outro fato que me chamou atenção é o número de professores de história na mesma condição que eu. Na segunda entrevista além de professor de história a escola estava selecionando professor de Química e Geografia, no total de 24 candidatos, 20 desses buscavam a vaga para professor de história. Depois ouço muitas vezes que quem quer ser vagabundo cursa história.
Em ambos processos seletivos fui selecionado para segunda fase, na primeira ocasião houve uma mudança de planos e ao invés de serem selecionados 6 candidatos a escola preferiu selecionar apenas 2 para uma entrevista individual e mais pessoal, o modelo comum para qualquer seleção, eu me classifiquei entre os 2. Mas no final acabei por não ser chamado. Na segunda seleção (em janeiro)  foram chamados pra segunda fase 6 candidatos e lá estava eu entre eles. Ainda é mais ou menos cedo pra dizer sobre o resultado, mas acredito que não fui chamado também (Esperança ainda existe, mas remotíssima). 
A conclusão que tiro disso tudo é que: Estou feliz com a minha participação e desempenho nas tais entrevistas, pois entre 12 ficar em 2º lugar não é ruim e entre 20 ficar entre os 6 também não é de todo ruim, para um profissional recém formado fico feliz de saber que apresento algo que faz com que as escolas queiram saber um pouco mais de mim. Mas a contra partida disso é da mesma forma que apareceu a oportunidade no ano passado de maneira tardia, que acarretou na interrupção dos meus estudos, esse ano a oportunidade venha tarde demais também. Não digo que é pra continuar os estudos, provavelmente não poderei esperar pela oportunidade na área da educação, assim sendo terei que virar mais uma pessoa formada e que vai trabalhar em uma área completamente diferente da qual estudou e investiu (muito dinheiro por sinal), porque como todo mundo, preciso dinheiro pra viver, me sustentar e continuara vida. E provavelmente terei que continuar vendo propaganda na televisão do Ministério da Educação informando da falta de professores incentivando a formação de novos profissionais e certamente ler no jornal em março ou abril que falta um número espantoso de professores na rede pública estadual. Enquanto se incentiva a formação de novos educadores e se divulga falta deles no mercado, aqui está um deles muito próximo de se sentir obrigado a largar a profissão, antes mesmo de nem ter começado a exercer realmente.  


Se alguém ler isso e quiser me oferecer uma vaga, ainda quero trabalhar na área. Manda um e-mail para: 
profbugallo@yahoo.com.br

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre o Dentuço, Picaretagem e o Início do Futebol

Respondendo aos meus colegas colorados do blog, e jurando que essa é minha última declaração sobre futebol (não acho que transformar esse espaço numa interminável discussão Kenny Braga x Cacalo seja válido).
Colocar o foco numa negociação mal-sucedida, não tira o foco de certos fiascos, mas, vamos ao que interessa.
Essa negociação do Dentuço (2x ou 3x dependendo do ponto de vista) Traidor tem ares de novela mexicana, como a maioria dos meus amigos já sabe, sempre fui e continuo sendo contrário a repatriação dele ao Olímpico.
Já jurei que não torceria pelo Grêmio (o que obviamente não vai acontecer) caso isso acontecesse.
Praticamente ninguém cita ou da relevância ao fato de que quem procurou o Grêmio foi o atleta e o seu procurador/empresário/picareta que não vale a pena nem ser citado, prometendo um retorno triunfal de um torcedor e sua origem.
Não sei qual a vontade do Dentuço, se é voltar a jogar bola e retornar a seleção ou subir o morro e fazer pagode e churrasco todo dia, o que ele deveria imaginar é que com 30 anos já mais que na hora de saber o que se quer da vida.
Não dá pra ser massa de manobra do irmão mais velho a vida toda, esse leilão promovido pelo procurador/empresário/picareta, é um tiro no pé, muitos falam em jogada de marketing.
Se essa postura for realmente isso, é total falha, já que constatando através dos comentários dos torcedores (não só do Grêmio, mas de Palmeiras e Flamengo), o que antes era de total apoio a contratação, agora é, vai logo pro outro time, FDP.
Caráter se prova com atitudes, e isso ele já demonstrou que falta faz tempo. Apesar do apoio maciço da mídia do centro do país, ainda acho que uma Libertadores vale bem mais a pena que a taça Guanabara.
Boas férias no Rio de Janeiro, Dentuço.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Parece que não aprenderam nada

Futebol mexe com as paixões, todo mundo sabe. A novela Ronaldinho dos últimos dias tem aflorado ainda mais a relação amor e ódio entre torcida e ídolo (sim, é ídolo). Futebol é muito dinâmico, técnico que sabe tudo um dia, baste perder 3 jogos, ou um clássico e já não presta sendo logo depois é demitido. O artilheiro de hoje é o perna de pau amanhã, enfim. Dentro de todo esse dinamismo e sentimento surge a história entre Ronaldinho e Grêmio ainda no final dos anos 90. Surge um projeto de craque no Olimpico, o jovem teve destaque nacional ao ser o protagonista nas finais do Campeonato Gaúcho de 1999, ficou na história por dribles dados em Dunga e por ter sido decisivo naqueles jogos. Começava o namoro entre torcida e ídolo. O jovem começou a se consolidar na Copa América do mesmo ano, quando em sua estréia pela seleção fez um belo gol contra a Venezuela, dali Ronaldinho não era mais uma promessa, era realidade. A direção do Grêmio num ato de arrogância e um tanto piadista, estendeu uma enorme faixa no Olímpico com a seguinte frase: "Não vendemos craques, favor não insistir".

Realmente a direção estava certa, o craque não foi vendido e saiu de graça para o PSG da França, a recém instituída lei Pelé foi muito bem usada pelo jogador e seu procurador/irmão Assis, o tricolor ficou a ver navios e o torcedor orfão do ídolo. Imediatamente o garoto perdeu o posto de idolatria e virou completamente ao contrário, traidor. Nada do que ele fizesse era reconhecido pelos gremistas, que não o queriam nem de graça de volta ao Olimpico.
Alguns anos se passaram e o Ronaldinho passou a ser a maior estrela do futebol mundial, Ronaldinho era maior que o Grêmio e que quase todos clubes no mundo, uma entidade que se compara a Garrincha ou Maradona. Isso encheu de orgulho o ferido coração gremista, afinal de contas, ele é tricolor e criado em Porto Alegre (centro do mundo) e ainda jogaria contra o Inter a final do mundial de clubes em 2006. Aí estava a chance de se redimir, nunca vi tanta camisa do Barcelona e do Ronaldinho como naquele ano, acho que venderam mais que as camisetas do Grêmio. Todas as esperanças da secação estavam com o dentuço de longas madeixas, era de volta o amor puro. Chegado o dia do "serviço", o ídolo foi anulado pelo contestado (até então) lateral direito do Inter, Ceará acabou com as esperanças dos gremistas e o Inter foi Campeão Mundial em cima de um gremista, talvez o maior deles (pelo menos o mais famoso). Pronto, agora além de traidor era "amarelão". O ódio da torcida se fortaleceu. 
Ronaldinho encheu o bolso (a mão, a mala, um caminhão, container e tudo que se pode imaginar) de dinheiro e parece que não quis mais saber desse "tal" futebol, se transferiu pro Milan teve alguns lampejos de bons momentos e decaiu bruscamente, daí surge o estopim pra mais uma explosão. Grêmio anuncia que está investindo para repatriar o craque, pronto! Torcida, direção, imprensa local, David Coimbra e toda a gremistada esqueceu o ódio e imediatamente tudo ficou lindo novamente, afinal de contas o ídolo para casa retornava, iria saldar a dívida deixada. Com isso choveu notícias e flautas gremistas para cima dos colorados. Mas toda novela tem finais surpreendentes e depois de vários capítulos, se envolveram vários outros clubes, mas nada que abalasse a pose arrogante e piadista da direção do "Imortal" (parece que não aprendem). Essa semana foi dada entrevista coletiva dizendo que tudo estava certo, foi programada festa no Olimpico para apresentação do jogador, nas redes sociais choviam postagens até de quem nem é "tão gremista" saudando a volta do ídolo e craque. Pois é, depois de todo "bafafá", parece que deu tudo errado e hoje o Grêmio anunciou que desiste da contratação do ídolo, não sei ao certo o porque. Mas o fato é que só vejo tristeza e amargura no coração de meus amigos gremistas, os já sofridos parceiros tricolores voltaram a ter ódio do seu maior craque já revelado para o mundo, o sonho de todo gremista é poder dizer que tem entre seus ídolos o Ronaldinho, mas não agora, hoje Ronaldinho além de traidor e amarelão, virou um mercenário. Parece que aos 30 anos de idade o tempo vai ficando cada vez mais curto para um final feliz aos torcedores do Grêmio, sei que essa novela esta longe do fim e quem sabe o dentuço um dia volte ao Grêmio, mas de qualquer forma o que já se passou nessa novela me deixa satisfeito, tá muito bom ver os gremistas não falando de futebol, fugindo ou desviando o olhar quando por mim passam na rua. Ronaldinho, pra eles tu será um traíra, mas fique tranquilo, pois tu é meu ídolo, obrigado por fazer eles sofrerem de novo, e de novo, e de novo.